– Cliente, fuja da tentação de veicular facilmente sua notícia

 

Muitos colegas sérios estão perdendo concorrência para agências que cobram preço ridículo com a promessa e a “garantia” de publicação dos releases

– Lucia Faria

Há uma praga infestando o mercado de comunicação e você, cliente, precisa ficar bem atento. Tratam-se de empresas voltadas à distribuição e publicação de releases em sites parceiros. As assessorias e concorrentes dispostos a atuar no mercado de Comunicação Corporativa contratam o serviço e têm garantida a publicação da notícia em certos veículos online, alguns de renome e vários desconhecidos. Qual o problema? Vou explicar e você entenderá facilmente a jogada.

Acontece que o texto sobre sua empresa ficará alojado dentro de uma seção escondida no site. Lembre-se que na homepage do veículo pode existir a aba Economia, Cidades, Geral e por aí vai. Uma delas, lá no meio, leva o nome da empresa contratada para distribuir o release, nomenclatura completamente desconhecida do público. É justamente ali onde ficam os releases. Pior: em alguns casos, nem esse espaço existe, a notícia é um completo fantasma. Tente colocar o assunto no campo de busca do veículo e verá que não aparece resultado algum. Em um grande portal brasileiro de negócios, por exemplo, você só consegue ler o texto se tiver a URL. Vou reforçar: a notícia não foi veiculada lá e nem passou pela redação. Não se iluda!!!

Só que o cliente não sabe disso. Ele recebe os recortes das notícias (chamado de clipping) e comemora. Perdeu dinheiro e celebra, que dó. Essa prática precisa ser combatida para garantir a sobrevivência do setor.

E antes que você questione, sim, nós já usamos essa ferramenta. Mais de uma vez. Testamos e entendemos o processo, concluindo que o caminho do sucesso do nosso trabalho é bem diferente desse falso atalho. De que adianta enviar um clipping enorme para o cliente sem qualquer relevância? Um clipping de mentira.

Esse serviço também existe nos Estados Unidos, não é exclusividade nossa. Recentemente, um empresário brasileiro com atuação internacional comemorava a publicação do seu release em dezenas de veículos norte-americanos. Expliquei a mecânica, ele entendeu e, mesmo assim, disse que essa estratégia favorecia a busca orgânica pelo nome de sua empresa no Google. Só que 10 dias depois colocamos o nome da empresa no Google e nada. Propaganda enganosa worldwide.

Muitos colegas sérios estão perdendo concorrência para agências que cobram preço ridículo com a promessa e a “garantia” de publicação dos releases. Agora também agências digitais oferecem a chamada Assessoria 2.0. Nada contra a concorrência, vence quem for melhor e mais assertivo. Só não vale cobrar pouco, contratar esse tipo de serviço e enganar o cliente.

Em relação à imprensa, não podemos garantir nada, vamos deixar bem claro. Apenas podemos assegurar que vamos nos esforçar ao máximo para desenvolver as melhores pautas, criar oportunidades para que os jornalistas encontrem em nosso cliente a fonte ideal para suas matérias.

Há profissionais corretos, neste momento, debatendo essa questão em grupos fechados. A mídia mudou. Cada centímetro de papel custa muitos dólares, bem mais do que cada pixel. E as pessoas hoje consomem informação em vários canais, substituindo sua relação com a mídia tradicional. A conta não fecha.

Esse fato, nem precisaria aqui dizer, tem provocado demissões, ajustes profundos e o repensar da atuação de cada veículo. Nós, das assessorias de comunicação, estamos acompanhando essa transformação, sentindo as dores da lagarta. Para virar borboleta o processo é duro, mas não vai ser com a colocação de lantejoulas no casulo que vamos enganar quem assiste ao milagre da vida.

Fonte: Eko Educação Corporativa