Dias antes da entrevista que concedeu ao The Economist – na qual dizia que Aécio Neves deveria ser o próximo candidato do PSDB à presidência e responsabilizava José Serra pela derrota de 2010 – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teve uma conversa com diplomatas.
Segundo o Correio Braziliense, nessa conversa ele disse que sua “cota de Serra já deu”. Dias depois da entrevista, segundo Jorge Bastos Moreno, de O Globo, Serra teria dito que “Fernando Henrique está gagá”.
Chega ao fim o maior erro político de FHC.
A relação entre ambos foi alimentada por dona Ruth Cardoso que, em dezembro de 1994 convenceu o marido a nomear Serra Ministro do Planejamento. FHC já conhecia suficientemente o parceiro para identificar suas fraquezas. Mas cedeu ao apelo da esposa.
Serra sempre foi um ministro desleal. Para fora passava a ideia de que era um resistente contra os erros do câmbio, os excesso da privatização. Jamais dava uma declaração pública. Na medida em que o quadro foi se completando, com relatos de dentro do governo, emergia de Serra o perfil de um sujeito pusilânime, que se inibia intelectualmente ante o maior preparo dos economistas do Real e que estava mais empenhado em fazer acordos sigilosos com protagonistas da privatização do que em gerir a pasta.
Esse jogo de dubiedades sempre permeou a vida política e pessoal de Serra. No domingo foi colocado no Youtube um vídeo bastante significativo (http://youtu.be/BkVzB9Nbrcs). Nele, Serra diz que pode ser acusado de muitas coisas, “menos de ser desonesto e de ser privatizante”. Em seguida, uma entrevista de FHC dizendo que Serra foi o que mais lutou pela privatização dentro do seu governo, tendo papel decisivo na Vale e na Light.
O livro de Amaury Ribeiro Jr – revelando os ganhos pessoais de Serra com a privatização, fecha o ciclo.
Aliás, foi o livro o principal fator a dar a FHC energia para romper emocionalmente com Serra. O que segurava era a lembrança de dona Ruth e a impressão de que, apesar de cabeçudo, Serra tinha uma vida limpa.
Foi por isso que, depois de ter apoiado a indicação de Serra como candidato do PSDB em 2002, FHC teve paciência para suportar os ataques (por trás) que lhe foram desferidos. Serra dizia a quem quisesse ouvir que FHC o boicotara nas eleições porque sabia que ele, Serra, faria um governo melhor que o dele.
Pura jactância.
Em São Paulo, Serra provavelmente entrará para a história como o mais inoperante governo que o estado já teve. Não se envolveu com a gestão, não comandava uma reunião conjunta sequer do seu secretariado, fugiu nos momentos decisivos (greve da Policia Civil, crise de 2008, enchentes na cidade).
O coroamento de sua carreira veio com a campanha de 2010 e, agora, com as revelações de que enriqueceu usando os diversos cargos públicos.
Serra acabou; FHC permanecerá como uma referência para o partido. Mas o PSDB vive seu pior momento, sem quadros de expressão nacional, sem ideias claras sobre o que pretende ser, sem renovação.
Depois do tormento Serra, parece que nem grama nasce mais nos campos do partido.
Luis Nassif
A gestão (? Gestão? Que Gestão?) de Gilberto Kassab (PSD) é considerada ótima ou boa para 22% dos eleitores, mostra pesquisa Datafolha, feita em 26 e 27 de janeiro. A reportagem está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
Houve oscilação dentro da margem de erro (três pontos percentuais, para mais ou para menos) em relação à última pesquisa, feita em dezembro, quando a aprovação foi de 20%.
Os resultados só não são piores que os registrados pelo prefeito entre maio de 2006 e março de 2007, quando a aprovação a seu governo não passou de 16%.
A melhor avaliação da gestão Kassab aconteceu durante a campanha eleitoral que o reconduziu ao cargo, em 2008. Na semana seguinte ao primeiro turno, 61% dos eleitores avaliavam seu governo como ótimo ou bom.
A pesquisa foi feita com 1.090 eleitores da cidade de São Paulo e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número 00001/2012.
Folha de SP
Ato #jogodogabinete já é um dos TTs no twitter.
Internautas se manifestam contra o ‘gabinete antiprotesto’ criado por Alckmin para monitorar atos de oposição ao governo; objetivo é usar a tag #jogodogabinete e denunciar o perfil do governador como spam, até que ele seja expulso do site; no aniversário da cidade, ele conseguiu escapar das ovadas levadas por Kassab após monitoramento nas redes.
A ação de monitoramento de protestos contra o governo de São Paulo nas redes sociais gerou, claro, outra manifestação, no mesmo ambiente virtual. Na manhã desta terça-feira, os usuários do Twitter levaram a tag #jogodogabinete aos Trending Topics nacional (lista de assuntos mais comentados no site) com o incentivo de bloquear o perfil do governador Geraldo Alckmin e a denúncia ao site como sendo um spam, a fim de que ele seja expulso do microblogging.
“Jogo do Gabinete Antiprotesto: entre na conta de @geraldoalckmin_ e use block + report for spam. Use a tag #jogodogabinete”, escreveu o cartunista André Dahmer (@malvados), um dos incentivadores do ato virtual, que já teve sua mensagem retuitada mais de 50 vezes. A usuária @karinereis também protestou: “’Governador’ e ‘prefeito’, esquecem que foi o povo que os colocaram no poder, se fazem protesto, fazem com total a razão! #jogodogabinete”.
O ‘gabinete antiprotesto’, conhecido hoje por meio de uma reportagem publicada na Folha de S.Paulo, protege o governador de manifestações populares. Segundo a matéria, Alckmin não esteve em dois eventos nos últimos seis dias após a notícia, detectada antes pelas equipes da Casa Civil e da Comunicação do Palácio, de que seriam realizados no local atos de oposição ao governo.
Um deles foi o aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro, dia em que o prefeito Gilberto Kassab foi alvo de ovadas da população, de dentro do carro da Prefeitura, quando saía da missa celebrada na Catedral da Sé. Ovos que Alckmin escapou graças ao monitoramento nas redes. As manifestações do feriado eram contra a desocupação do acampamento de Pinheirinho, em São José dos Campos, e a operação da Polícia Militar na Cracolândia, ambas marcas do governo paulista.
O governador também escapou de sacos de chuchus – levados especialmente para serem arremessados contra ele, que há tempos ganhou como apelido o nome do vegetal – no mais recente evento em que não esteve, no último sábado, na inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC).
Segundo a reportagem da Folha, a assessoria do governador alegou que ele não esteve na missa do aniversário de São Paulo por “questão familiar” e que não havia confirmado presença na inauguração do Museu e, por isso, não seria uma falta. Os protestos são monitorados pela subsecretaria de Comunicação e por um assessor do governo.
Alagoas 24 Horas
Resultado da péssima administração demotucana começa a aparecer
O Metrô deixou de ser o meio de transporte mais bem cotado da Grande São Paulo. Pesquisa da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) divulgada ontem revela que, na percepção dos próprios usuários, esse meio de transporte piorou, assim como os ônibus e os trens. O Metrô, especificamente, alcançou o menor patamar em um período de 12 anos.
Assim, a estatal perdeu uma posição que conquistava anualmente ao menos desde 1999. Agora, o posto de mais bem avaliado pelos passageiros pertence ao Expresso Tiradentes, da Prefeitura, com 81% de aprovação. Em seguida, está o Corredor Metropolitano São Mateus-Jabaquara, via exclusiva de ônibus que liga a capital a cidades do ABC, gerida pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) – do governo do Estado, tal qual o Metrô –, com 79%.
Ao todo, 74% dos entrevistados consideraram o sistema metroviário “excelente ou bom”, dez pontos a menos do que dois anos atrás. Por sua vez, os ônibus administrados pela São Paulo Transporte (SPTrans), da Prefeitura, alcançaram somente 40% nessa avaliação – queda expressiva se comparado ao ano retrasado, quando 59% dos entrevistados consideravam o serviço bom ou excelente. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) também foi aprovada por menos da metade das pessoas ouvidas: 48%, ante 54% no ano anterior.
O objetivo da pesquisa era obter a imagem e avaliar o transporte coletivo na capital e na Região Metropolitana. Ela foi encomendada à Toledo & Associados e feita em duas etapas, entre outubro e novembro: uma quantitativa, realizada em grupos, e outra qualitativa, com 3.423 entrevistados.
Passageiro diário do Metrô, o operador de logística Henrique Volpe, de 25 anos, destaca a lotação nos horários de pico como um ponto extremamente negativo. “Os trens demoram e, quando chegam, às vezes vêm tão cheios e quentes que parecem uma sauna.” O programador Daniel Oba, de 41, afirma ter notado que as paradas dos trens no meio dos túneis têm sido mais frequentes. “É ainda pior quando estou com o meu filho pequeno.”
A linha que ele usa mais vezes, a 1-Azul, foi a que registrou a maior queda na avaliação dos passageiros, segundo a pesquisa da ANTP, passando de 85% de aprovação para 73%. Apesar disso, a Linha 3-Vermelha segue com a pior avaliação entre as cinco da rede: 68% dos entrevistados a consideram excelente ou boa. A 4-Amarela, cuja primeira fase foi aberta integralmente no ano passado, teve o melhor desempenho, com 89% de aprovação.
No geral, a nota dada pelos usuários ao Metrô caiu de 3,9 para 3,7. Para Rogério Belda, diretor da ANTP, o pior desempenho da imagem da estatal pelos passageiros tem a ver com lotação e conforto. “O Metrô sempre teve uma imagem de excelência, mas está sendo vítima do próprio sucesso. Quando tinha poucas linhas, era avaliado pelo serviço delas. Agora, há um embrião de rede. Mas a cidade demanda mais que isso.” Belda defende a ampliação da rede e mais corredores de ônibus.
Segundo a pesquisa, considerando todo o sistema de transporte público, somente 18% dos passageiros ouvidos consideraram o serviço bom.
CAIO DO VALLE
Folha da Tarde
February 1st, 2012 in
Transporte SP
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Mesmo sem chuvas nos últimos dias, a água continua escorrendo por todos os lados em uma das estações de metrô mais movimentadas de São Paulo, a Consolação.
Poças chegam a contornar as paredes da área da linha 2-verde. Também há goteiras próximas à plataforma de embarque e até no meio das cadeiras usadas pelos passageiros que esperam os trens.
Quem passa de um lado a outro da estação também precisa desviar de baldes e panos espalhados pelo chão.
Ontem havia sete bloqueios e divisórias colocadas por conta da água que caía no piso da estação Consolação. Um funcionário do Metrô relatou ser comum ocorrerem pequenos acidentes no local.
Usuários confirmam. “Já cheguei a escorregar. Levei um susto”, conta Jociara dos Santos, 55. Segundo ela, o problema é maior nas horas de maior movimento na estação, quando fica mais difícil desviar das poças de água.
Infiltrações fazem funcionários usarem baldes e panos para conter goteiras em estações do metrô de SP
O assistente administrativo Leonardo Cardoso, 17, que passa pela estação quatro vezes ao dia, afirma que já se acostumou com as goteiras.
“Por onde passa, está sempre pingando. Tem vezes que cai em cima da cabeça”, diz.
Em nota, o Metrô disse que constatou as infiltrações no dia 21 e que avisou a Subprefeitura Sé, que atua na região da avenida Paulista, e a Sabesp sobre o problema.
Segundo o Metrô, a origem das infiltrações é uma tubulação da Sabesp próxima à estação. Ainda segundo a nota, equipes de manutenção devem tentar resolver o problema na madrugada de hoje.
O Metrô ainda diz que vem atuando “com medidas paliativas para evitar goteiras”.
A Sabesp confirmou que havia uma vistoria no local já programada, mas não soube dizer se a falha na tubulação era de fato a causa das goteiras na estação Consolação.
Já a Subprefeitura Sé afirmou que irá realizar uma nova vistoria hoje no local.
Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
February 1st, 2012 in
Transporte SP
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Kassab agora corre risco de ficar isolado
E que fique mesmo! Essa cria de Pitta e Serra não pode mais ocupar cargos públicos. Pena que ao invés de ovos, não lançaram certo excremento, o que espelharia melhor a administração demotucana em São Paulo
Que fase! Rejeitado pelos dois principais partidos a quem ofereceu aliança, batendo recordes negativos de popularidade, o prefeito Gilberto Kassab se viu acuado dentro do carro oficial ao sair quarta-feira da missa de aniversário da cidade na Catedral da Sé.
Xingado e alvejado por ovos e pedras jogados por cerca de 800 manifestantes, Kassab, na verdade, estava pagando pelo que não fez. O protesto era contra as ações policiais na Cracolândia e no Pinheirinho, em São José dos Campos, responsabilidade do governador Geraldo Alckmin, que achou melhor não ir à missa.
No mesmo dia, o prefeito ficou sabendo que Rui Falcão, presidente nacional do PT, descartou liminarmente qualquer possibilidade de aliança com o PSD de Kassab, que ofereceu a Lula um vice para o candidato petista Fernando Haddad.
Falcão foi peremptório e fechou a porta para qualquer negociação: “Em nenhum momento cogitamos isso. Nem o prefeito Kassab está cogitando. Temos feito oposição ao prefeito Kassab”.
O PSDB, por sua vez, também fechou questão: vai ter candidatura própria e já marcou suas prévias para março. Alckmin não quer conversa com Kassab, aliado de José Serra, seu principal adversário no poleiro tucano. Nas últimas eleições municipais, em 2008, Serra e Kassab se uniram contra Alckmin e deixaram o atual governador fora do segundo turno.
Kassab, porém, não perde as esperanças de fazer aliança com um dos dois grandes partidos, qualquer um. Depois de trocar agrados com a presidente Dilma Rousseff, na cerimonia de entrega das medalhas de 25 de janeiro, durante a celebração dos 458 anos de São Paulo, o prefeito voltou a repetir aos jornalistas:
“É evidente que o partido irá analisar as alianças possíveis, e não se exclui o PT nem o PSDB”.
O mais provável no momento é que Kassab fique isolado na disputa pela sua sucessão e só lhe restará a alternativa da candidatura própria do PSD. Mesmo que não tenha chances de vitória, pelo menos terá alguém para defender sua administração dos ataques que certamente virão de todos os lados.
O problema é que o único nome viável de que dispõe é o do vice-governador Guilherme Afif, que não me parece muito animado a ir para o sacrifício. Basta lembrar que, sem alianças, o PSD terá apenas um minuto de tempo na televisão, dez vezes menos do que PT e PSDB.
No começo da campanha, parecia que Kassab tinha o jogo nas mãos, procurando simultâneamente lideranças do PT e PSDB, que há anos disputam a hegemonia em São Paulo. Jogou alto, mas agora corre o risco de perder tudo e ficar pendurado na brocha.
Agora, no máximo, poderá ser o fiel da balança, dependendo de quem irá apoiar no segundo turno. Por mais que Dilma e Lula gostassem de ter o PSD de Kassab como aliado agora, pensando nas campanhas em todo o país e na sucessão de 2014, as pretenções do prefeito esbarram nas lideranças partidárias locais.
Prefeitura mantém projeto de venda de terrenos públicos
Os espaços oferecem equipamentos de Saúde, Educação e Cultura, como o do Quarteirão do Itaim que ainda é um patrimônio da cidade
Roberto Miralles NOTÍCIAS – Demais
A prefeitura de São Paulo ainda tem planos de vender 20 terrenos públicos para a iniciativa privada. Entretanto, diversos equipamentos destinados aos munícipes ocupam as áreas em questão, o que tem mobilizado moradores em defesa dos espaços de uso coletivo.
A ligação estreita entre o prefeito Gilberto Kassab e o setor imobiliário é comentário comum entre a população da cidade sendo tema recorrente nos editoriais dos grandes jornais de São Paulo. De outro lado, a oposição especula com o fato de já haver relações desde os tempos da campanha à prefeitura de São Paulo (2008), subsidiada pelas grandes empreiteiras e que agora querem sua parte do bolo.
A motivação da ação municipal de entregar seus terrenos ao mercado imobiliário é de que há necessidade de acabar com o déficit de vagas em creches na periferia de São Paulo. Isso se deve ao fato, segundo a prefeitura, de que os trâmites burocráticos impedem a construção rápida de creches, o que não aconteceria com a ajuda da iniciativa privada.
As ONGs, moradores das regiões atingidas e sociedade civil organizada acreditam que existem diversos modelos alternativos para a construção dessas creches e que podem ser mais ágeis, como as Parcerias Público-Privadas e iniciativas como as que possibilitaram a rápida ampliação da Marginal do Rio Tietê e estão acelerando as obras do Itaquerão e dos arredores.
O caso no Itaim Bibi
O quarteirão localizado no bairro do Itaim Bibi, na zona Sul, abriga uma creche, duas escolas, uma unidade básica de saúde, uma biblioteca, um teatro, um prédio da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), um Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) e uma importante área verde. A área mantém um conceito de planejamento escolar idealizado na década de 40 por pedagogos e urbanistas, buscando uma melhor formação para crianças e jovens, na busca de um cidadão mais envolvido com sua cidade.
A união de diversos equipamentos que envolvam Saúde, Educação e Cultura promovem uma troca de experiências fundamentais para uma percepção mais ampla das diversas realidades e uma formação do espírito de comunidade, objetivo principal do projeto desenvolvido no quarteirão.
Os moradores já se organizaram e conseguiram iniciar o processo de tombamento da área junto ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT), que agora avalia os argumentos apresentados para darem o parecer. Enquanto esta decisão não sai, a prefeitura não pode realizar qualquer alteração na área.
O caso emblemático do quarteirão do Itaim Bibi pode ajudar a evitar que os outros terrenos sejam vendidos e que a prefeitura perceba que agindo assim, vários espaços públicos serão perdidos para sempre, diminuindo o estoque de reserva necessário para a cidade. Além disso, o exemplo que os moradores do quarteirão dão à cidade é a do pleno exercício da cidadania e defesa do bem comum e histórico da cidade.
Prefeitura previa gastar R$ 207 milhões no ano passado, mas apenas R$ 120 milhões foram investidos
Temporal causa enchentes em São Paulo
Mesmo com o caixa cheio, a Prefeitura de São Paulo destinou em 2011 o menor percentual do valor previsto no Orçamento para obras antienchente desde o início da gestão Gilberto Kassab (PSD), em 2008. Dos R$ 207 milhões anunciados, apenas R$ 120 milhões (58%) dos recursos foram realmente utilizados.
Nos últimos dois anos, o número de pontos de alagamento dobrou, de 740 para 1.480. Além de obras, os recursos também deveriam ter sido aplicados no programa de monitoramento de enchentes e de áreas da cidade com risco de deslizamento.
A diferença entre o montante previsto no Orçamento para o ano passado e a quantia que de fato foi empenhada faz parte de inquérito do MP (Ministério Público), que investiga as ações realizadas pela administração municipal para reduzir os estragos causados pelas chuvas nos últimos anos.
De acordo com os dados repassados pela Sempla (Secretaria de Planejamento), que constam no inquérito de 18 volumes, em 2010, 95% dos recursos previstos foram usados. Em 2009, Kassab havia investido 77% da verba orçada.
Para este ano, a previsão orçamentária repassada pela Sempla indica um investimento de R$ 276 milhões. O valor, em ano eleitoral, é o maior já planejado pela gestão Kassab.
Do total, R$ 5,5 milhões devem destinados para monitoramento de piscinões e áreas de risco. Procurada, a assessoria da prefeitura informou que todos os dados referentes às ações de combate e prevenções às enchentes foram repassados ao Ministério Público. A prefeitura diz que os dados estão disponíveis no site da Sempla, que detalha o valor orçado e o empenhado.
Davi Franzon, do Metro SP noticias@band.com.br
Ao mesmo tempo, desconfiança no poder público cresceu. Segundo pesquisa, 30% consideram administração de Kassab “ruim ou péssima”
Uma pesquisa encomendada pela Rede Nossa São Paulo ao Ibope divulgada nesta quarta-feira revela que, para paulistanos, a qualidade de vida na capital piorou. Ao mesmo tempo, a desconfiança no poder público cresceu. De acordo com a pesquisa, 30% dos entrevistados avaliaram a gestão de Gilberto Kassab à frente da cidade como “ruim ou péssim”.
Foram entrevistados 1.512 moradores da capital paulista com 16 anos ou mais entre os dias 25 de novembro e 12 de dezembro de 2011. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa abordou 25 temas subjetivos, como sexualidade, espiritualidade, aparência, consumo e lazer, e outros que tratam de condições mais objetivas de vida, como saúde, educação, meio ambiente, habitação e trabalho.
De acordo com a Rede Nossa São Paulo, a avaliação do poder público municipal registrou queda acentuada. Quando questionados sobre a “atual administração municipal”, 30% a consideraram “ruim/péssima”. Em 2010, o número estava em 21%. Sobre a “subprefeitura da região”, 31% consideram “ruim/péssima”, contra 23% no ano anterior. Com relação à Câmara dos Vereadores, o percentual de avaliações “ruim/péssima” aumentou de 36% para 42%.
Questionados se gostariam de deixar a capital, 56% dos entrevistados afirmaram que, se pudessem, mudariam de cidade. No ano passado, esse número era de 51%. A nota geral para a qualidade de vida na cidade, contudo, apresentou leve queda e passou de 5,0 em 2010 para 4,9 em 2011.
A falta de segurança permanece no topo da lista das preocupações do paulistano. Entre os principais medos, “assalto/roubo” ficou em primeiro lugar, com 69% das respostas. Em 2010, o item estava em segundo lugar e tinha 59% das respostas. A preocupação com “atropelamentos” passou de 12% para 17%, de acordo com a pesquisa. A sensação de insegurança cresceu significativamente em São Paulo: em 2010, 24% consideravam a cidade “nada segura” para se viver. Em 2011, o número passou para 35%.
Serviços
O tempo médio de espera para atendimento de saúde diminuiu, mas permanece alto. Para a realização de consultas, a espera é de 52 dias. Em 2010, esse número era de 61 dias. Para a realização de exames, 65 dias (76 em 2010); e para procedimentos mais complexos, 146 dias (166 em 2010). No serviço privado de saúde, o tempo médio de espera para uma consulta é de 15 dias, para exames é de 17 dias e para procedimentos mais complexos, 39 dias.
O tempo médio de espera nos pontos de ônibus é de 22 minutos. Como a pergunta foi aplicada pela primeira vez neste ano, não há comparativo com os anos anteriores.
Das 25 áreas avaliadas pela pesquisa, 19 receberam notas abaixo da média, que é 5,5. As piores notas foram para as áreas “Desigualdade Social”, “Acessibilidade para Pessoas com Deficiência” e “Transparência e Participação Política”.
Desconfiança
Houve queda na confiança dos entrevistados com relação a todas as instituições e órgãos públicos apresentados no questionário, de acordo com a Rede Nossa São Paulo.
As instituições que mais obtiveram respostas positivas de índice de confiança foram os Bombeiros (86%), os Correios (81%), o Metrô (74%) e a Sabesp (70%).
Já as que mais receberam respostas de desconfiança foram Câmara dos Vereadores (69%), Tribunal de Contas do Município (63%), Prefeitura de São Paulo (64%) e Subprefeituras (59%).
O que assusta é a solução, sempre óbvia, de convocar a Polícia Militar para resolver problemas muito mais complexos
Erich Vallim Vicente
A imagem é comum, até certo ponto desgastada: em lado opostos, pessoas sem armas – ou, vá lá, com algumas pedras e paus –, a maioria mal vestida, contra soldados da Polícia Militar, estes equipados com capacete, escudos, armados com pistolas, granadas etc. Mais do que uma informação, a cena tem se tornado cada vez mais, sobretudo no Estado de São Paulo, parte da paisagem urbana. Se não é com estudantes da USP, é contra viciados em drogas da Cracolândia, verdadeiros “zumbis” na caótica vida urbana.
Anunciada pelo governo estadual, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, como “o fim da Cracolândia”, a ação de ocupação destes locais de uso de drogas a céu aberto na capital paulista tem se mostrado um grande furo na água, especialmente com a informação, publicada nesta terça-feira nos principais jornais, de que havia sido agendada, para abril, a intervenção policial a partir de bases fixas nestes locais, depois de um amplo trabalho de fortalecimento das redes de proteção social para estes usuários.
O que assusta é a solução, sempre óbvia, de convocar a Polícia Militar para resolver problemas muito mais complexos para serem resolvidos apenas com a abordagem policial. Aconteceu ano passado, na Cidade Universitária, acontece agora, na Cracolândia, e, de um caso a outro, a semelhança de que o governo paulista tem uma dificuldade imensa de buscar outra alternativa que não essa, de desenvolver uma política feita para massagear o sentimento de quem vê na violência a única forma de controle social.
Nas diversas discussões sobre o tratamento com os usuários de drogas, inclusive nas que são desenvolvidas no âmbito do Fórum Permanente Sobre Álcool e Outras Drogas, em Piracicaba, coordenado pelo vereador Bruno Prata (vale lembrar, do próprio PSDB), fala-se sobre a necessidade de fortalecer e expandir a chamada “rede de proteção”. Não adianta o Estado dispersar de um lado, como determinado, que os usuários aparecerão em outro, como está acontecendo, já que sua primeira necessidade é a droga e, por ela, farão de tudo. É a realidade cruel.
O governo paulista e a prefeitura de São Paulo jogam a favor de um pensamento de que “algo tem que ser feito”, e, sob o manto da “agilidade”, “de não mais postergar o problema” e de uma pseudo-eficácia, manda a Polícia Militar descer o sarrafo, como se dele surgisse a solução para todos os problemas sociais. Ainda, e pior, movidos por interesses políticos regionais, passam por cima de uma política nacional de combate ao crack, em andamento para ser desenvolvida não só em São Paulo, mas em outras capitais estaduais com o mesmo problema.
É uma estratégia tão medíocre que apenas contribuiu para fortalecer ainda mais a imagem pouco popular da Polícia Militar junto à população, como se fosse ela a culpada por governos que se esquecem de fazer política pública e optam pela opressão, pelo medo e pela violência.
A Tribuna